Perspectivas para a semana de 03 a 07 de fevereiro de 2014

Publicado em 04/02/2014

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Segundo a Tendências Consultoria, os mercados internacionais não devem alterar o panorama volátil e cauteloso nos próximos dias, na expectativa pelos importantes indicadores do mercado de trabalho norte-americano, mas sem novos sinais da economia da China, que também é foco de grande parte das preocupações atuais. Os últimos dias não modificaram o quadro recente, com a confirmação de mais uma redução dos estímulos monetários pelo Fed, mesmo em meio a novos sinais mistos da economia norte-americana. Além disso, a manutenção do nervosismo com o desempenho dos países emergentes, diante de um cenário internacional mais desafiador, favoreceu a manutenção da maior aversão ao risco, gerando novos períodos de “flight to quality”. No Brasil, a volatilidade também foi marcante nos preços dos ativos, mostrando que, aos olhos dos investidores internacionais, o País exibe vulnerabilidades importantes, mesmo que não esteja entre os mais fragilizados. Neste sentido, diversos bancos centrais de países emergentes, como Índia, Turquia e África do Sul, reagiram às turbulências com anúncios de aperto monetário.

A abertura da segunda-feira deve repercutir o índice PMI oficial da indústria da China. Em janeiro, o PMI industrial chinês recuou para 50,5 pontos (contra 51 em dezembro). O PMI de serviços também desacelerou, passando de 54,6 em dezembro para 53,4 em janeiro. Números acima de 50 indicam expansão da economia, enquanto números abaixo desse valor sugerem o oposto. Portanto, esses números reforçam a tendência de desaceleração da atividade na China.

Por outro lado, de acordo com a Markit Economics, em janeiro, o PMI da indústria na zona do euro atingiu 54,0 pontos contra 52,7 em dezembro. Esse é o nível de expansão mais forte desde maio de 2011, corroborando o cenário de uma economia europeia em gradual recuperação.

Nos Estados Unidos, a agenda de dados será carregada e os agentes devem ficar atentos aos sinais econômicos após a piora de alguns indicadores nas últimas semanas. Destaque maior para os números do mercado de trabalho que serão divulgados na sexta-feira, mas cujos antecedentes serão conhecidos ao longo da semana. Caso o payroll volte a decepcionar, os investidores definitivamente irão duvidar da aceleração da atividade neste ano, o que já começou a ser precificado nos juros dos treasuries. O yield de 10 anos atingiu 2,65% na sextafeira, menor nível desde novembro. Entre os balanços, serão poucas as divulgações de maior peso. Destaque para a GM na quinta, enquanto, na Europa, saem os resultados dos bancos UBS (terça) e Credit Suisse (quinta).

No Brasil, os preços dos ativos sofreram com as turbulências dos últimos dias. No câmbio, a volatilidade intensa fez a taxa oscilar entre os níveis de R$ 2,40/US$ e R$ 2,45/US$, levando o BC a oferecer a rolagem das linhas com recompra que vencem no início de fevereiro. Já a curva de juros foi fortemente pressionada, com os DIs precificando ajustes agressivos na taxa de juros. Mesmo que o BC não sancione estes movimentos, fica evidenciada a necessidade de uma reação da política econômica doméstica, que pode vir nos próximos dias com o anúncio das diretrizes das contas públicas em 2014. Com isso, este será o tema mais importante no curto prazo, que deve concentrar as atenções dos mercados. Na agenda da semana, cabe acompanhar também a produção industrial de dezembro (terça), que deve ter sido fraca, números do setor automotivo de janeiro e o IPCA também de janeiro, que deve apontar alguma desaceleração. Ou seja, os dados deveriam contribuir com certo arrefecimento das pressões na curva. Já o Ibovespa segue procurando um novo suporte, após a sucessiva perda de patamares. Sem perspectivas de reação firme, no máximo, pode-se aguardar uma recuperação técnica a depender do quadro internacional.


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