Perspectivas para a semana de 16 à 20 de setembro de 2013

Publicado em 16/09/2013

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Segundo a Tendências Consultoria,  todas as atenções dos mercados financeiros internacionais estarão voltadas para a reunião do Fomc, na quarta-feira, quando o Comitê decide se irá promover ou não mudanças no ritmo do expansionismo monetário que vem sendo executado. As apostas majoritárias sugerem uma redução de US$ 10 bilhões no volume mensal de compras de ativos, atualmente em US$ 85 bilhões, mas dados recentes mais fracos agregaram incertezas à essa decisão. Além desse anúncio, os agentes devem avaliar a divulgação das projeções oficiais para a economia norte-americana, que passarão a incluir 2016, com particular interesse na taxa de desemprego estimada, que dará um direcionamento acerca das expectativas do timing do aumento de juros. Nos últimos dias, uma sequência de indicadores menos animadores de atividade, como a geração de empregos e as vendas no varejo abaixo das expectativas, sugeriram que o Fed terá que ser cuidadoso na redução dos estímulos. No Brasil, a menor pressão externa tem contribuído para fortalecer o real, que recuperou parte das perdas recentes, oscilando abaixo de R$ 2,30/US$ ao longo da semana.

No campo doméstico, o arrefecimento do dólar foi intensificado pelas intervenções mais incisivas promovidas pelo Banco Central. Desde 22 de agosto a instituição tem promovido a venda diária mínima de US$ 500 milhões em swaps cambiais (entre segunda e quinta), além da oferta de US$ 1 bilhão em linhas com recompra às sextas-feiras. Ajudado pelo quadro externo e pelas medidas de suporte do BC, o real recuperou fôlego, em movimento que gerou perdas aos agentes que vinham operando fortemente na ponta compradora. Com isso, foi quebrada a dinâmica unidirecional do câmbio, permitindo o retorno da cotação do dólar para níveis ligeiramente abaixo de R$ 2,30/US$. Cabe notar que, neste período, o real passou a ser a moeda com o melhor desempenho ante o dólar entre as divisas de países emergentes, corrigindo parte do movimento excessivo de perdas verificado desde o início de maio.
 
Antes da decisão do Fed, novos dados de atividade nos Estados Unidos devem sustentar um quadro instável na expectativa pelo desfecho do encontro. Na segunda-feira, números do setor industrial serão os últimos indicadores de maior peso antes da reunião, que começa na terça-feira. De qualquer forma, embora o início da retirada dos estímulos não seja consensual, o fato de ser a aposta majoritária limita a repercussão no caso de confirmação deste cenário. Ainda assim, o ambiente da semana deve ser de volatilidade, diante da importância desta decisão para as expectativas de curto e médio prazo, sendo importante monitorar as declarações de Ben Bernanke que serão dadas ao término do encontro. O mais provável é que Bernanke tente transmitir a visão de que o processo de ajuste monetário será muito lento, a fim de impedir movimentos muito fortes na curva de juros, o que prejudicaria a recuperação da economia – algo que já tem ocorrido nos últimos meses.
No Brasil, o câmbio será diretamente determinado pelos sinais da política monetária norte-americana. As quedas recentes, que colocaram o dólar em torno de R$ 2,28/US$, criam um ligeiro viés de alta para a cotação, com os agentes buscando uma posição defensiva. Mas como o risco é de um Fed mais dovish, e não mais hawkish na decisão, o movimento deve ser contido. Nos juros futuros, além do câmbio, as taxas ficam atentas à intensa agenda de índices de inflação (IPC-S, IPCA-15, IGP-10, Fipe e segunda prévia do IGP-M). Cabe atentar para os IGPs, que estão em um período de maior pressão. Já o Ibovespa deve reagir ao ambiente externo, mas o desempenho recente tem apontado um quadro mais promissor, com o retorno dos investidores estrangeiros. Até o dia 11, as entradas líquidas de capitais externos na bolsa somam R$ 3,5 bilhões, ajudando a sustentar os avanços do índice.
As projeções da Tendências para a taxa de câmbio foram revisadas de R$ 2,25/US$ para R$ 2,35/US$ ao final de 2013 e de R$ 2,35/US$ para R$ 2,50/US$ ao final de 2014. Às expectativas anteriores havia sido atribuído um viés de alta desde o final de agosto, mas a intensa volatilidade dos mercados e a presença de dados importantes no curto prazo recomendavam um breve período de reavaliação, antes da confirmação dos novos números. Cabe ressaltar que persiste um quadro de elevadas incertezas neste mercado, de modo que as oscilações devem continuar expressivas. Dentre os principais elementos de risco, a condução futura da política monetária norte-americana seguirá como determinante central, às vésperas da decisão que deve marcar o gradual início da redução do afrouxamento quantitativo no país, na próxima quarta-feira.

Assim, apesar da melhora recente, para a Tendências, fatores internos e externos sustentam a expectativa de que tal queda seja pontual, de modo que a tendência é de retomada gradual da alta do dólar. Nos Estados Unidos, a despeito da acomodação dos indicadores, o Fed deve começar a colocar em prática o processo de ajuste das condições monetárias, mesmo que gradativamente. Do lado interno, a manutenção de desequilíbrios nas contas externas, ilustrada pela deterioração da balança comercial e pelo aumento do déficit em transações correntes, sugere que o viés para o real continua sendo de enfraquecimento.
Por outro lado, com a desvalorização do real, segundo a Tendências, deve-se observar impacto importante sobre a dinâmica de comércio. A atual desvalorização implica importações desestimuladas e exportações impulsionadas, ainda que com maior defasagem. Em outras palavras, o déficit em conta corrente será contido.
 


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