Perspectivas para a semana de 27 a 31 de maio de 2013

Publicado em 27/05/2013

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Segundo a Tendências Consultoria, os mercados internacionais devem iniciar a semana em ritmo lento, com o feriado nos Estados Unidos e no Reino Unido na segunda-feira, que vão manter os mercados em Nova York e na City Londrina fechados. Porém, a partir da terça, os movimentos tendem a se acentuar, em meio às crescentes incertezas acerca de temas de peso global, como a política monetária norte-americana e o andamento da economia da China.

No Brasil, a semana que terá o feriado na quinta-feira será marcada pela decisão do Copom na quarta, novamente com os analistas divididos, embora a curva de juros mantenha a aposta majoritária de um ajuste mais agressivo (50 pontos-base). Por aqui, as atenções também estão voltadas para o câmbio, após as pressões externas colocarem o dólar em R$ 2,05/US$.

Após uma semana recheada de informações importantes sobre a política monetária norte-americana, com ata do Fomc e pronunciamento de Ben Bernanke, os próximos dias terão apenas dois pronunciamentos de dirigentes da instituição. Na quarta-feira,

 

Eric Rosengreen fala sobre perspectivas econômicas e na sexta será a vez de Sandra Pianalto discursar sobre estabilidade financeira. Ambos sustentam postura mais dovish, de modo que não devem causar maiores problemas nos mercados. Entre os indicadores norte-americanos, na terça-feira, destaca-se a confiança do consumidor, na quinta-feira, a revisão do PIB e, na sexta-feira, os dados de renda e gastos pessoais, além dos índices de Chicago e de confiança da Universidade de Michigan. Em linhas gerais, os números do país voltaram a apresentar viés mais positivo, após um período de alguma decepção especialmente com os indicadores da indústria.

Neste contexto, gradativamente, os investidores devem migrar para uma posição mais serena em relação às perspectivas para a política monetária, que seria uma expectativa de reversão apenas no final deste ano ou no início de 2014 e, ainda assim, apenas após os sinais econômicos se mostrarem suficientemente sólidos. Ou seja, o tema deve gerar volatilidade e uma lenta reprecificação dos ativos, mas não um pessimismo exacerbado. Neste caso, a China inspira maiores cuidados, pois dados adversos podem gerar reações mais intempestivas. O próximo indicador do país será divulgado apenas na sexta (PMI).  Neste mesmo dia, a taxa de desemprego da Zona do Euro deve reforçar o ambiente desanimador na região.

No Brasil, a reunião do Copom atrai a maior parte das atenções nos próximos dias. Declarações recentes de Alexandre Tombini, que reiterou a necessidade de o BC atuar para reverter a piora do quadro inflacionário e compensar o expansionismo fiscal, aumentaram as apostas da curva em torno do ajuste de 50 pontos-base na Selic. Porém, entre os analistas, ainda há uma grande divisão, de modo que não deve haver migração na direção de uma ou outra possibilidade até o desfecho do encontro, na noite de quarta-feira. Embora o cenário seja propício para o ajuste mais agressivo, a desaceleração do IPCA-15 de maio e o aumento da taxa de desemprego pesam favoravelmente à manutenção da cautela. De qualquer forma, caso o BC vá contra a curva e decida repetir a alta de 25 bps, os DIs curtos vão ceder, mas os médios e longos tendem a subir ainda mais.

No câmbio, cabe atentar para o fluxo cambial, que deve apontar melhora do lado financeiro, caso os recursos captados pela Petrobras comecem a ser internalizados. Por ora, a tendência é de uma maior volatilidade da variável, ao menos até o mercado encontrar um novo patamar de referência de curto prazo, que pode ser o mesmo atual, ao redor de R$ 2,05/US$.

 

Finalmente, o Ibovespa tem tentado dar sinais de reação, conseguindo manter o sangue frio mesmo em dias de tensão externa. Caso o ambiente lá fora tenha alguma acomodação, o índice pode buscar finalmente um descolamento dos 55 mil pontos. Na agenda da semana, além do Copom, a quarta-feira também traz o resultado do PIB do primeiro trimestre, que, apesar de ser um dado defasado, pode pesar na decisão da tarde.


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