Perspectivas para a semana de 25 de fevereiro à 01 de março de 2013

Publicado em 25/02/2013

Segundo a Tendências Consultoria, a semana promete ser agitada nos mercados internacionais. Na Europa, o destaque será a reação ao desfecho das eleições legislativas da Itália. Nos Estados Unidos, o foco estará nos últimos dias de negociações políticas na tentativa de que sejam evitados os "sequestros" dos gastos públicos a partir de 1 de março. Os mercados já entraram em uma fase de maior volatilidade, diante dos picos alcançados recentemente pelas bolsas norte-americanas e pela expressiva recuperação dos ativos europeus, o que, normalmente, gera pressão por alguma correção.

A semana já começa com o resultado das eleições na Itália, o que deve direcionar o ambiente na abertura. O pior cenário para os mercados seria uma eventual surpresa com a vitória da coalizão liderada pelo ex primeiro-ministro Silvio Berlusconi, que tem se mostrado contrário às reformas estruturais promovidas na gestão de Mario Monti. Uma situação intermediária seria a vitória do grupo de centro-esquerda de Pierluigi Bersani, que já se mostrou pró-manutenção das reformas, mas sem a obtenção de maioria do Parlamento para formar o governo. Por outro lado, caso Bersani consiga compor uma maioria junto com o grupo liderado por Mario Monti, os mercados tendem a reagir positivamente.

Nos Estados Unidos, a questão fiscal volta à cena, ainda com a tentativa da Casa Branca de evitar os cortes automáticos de gastos e seus efeitos adversos sobre a economia. Dificilmente haverá algum acordo com o Partido Republicano, que já deu mostras de que não cederá mais em termos de aumento de impostos. Desta forma, resta a expectativa de ações de governo a fim de atenuar os impactos da contração

fiscal sobre a atividade. A agenda econômica também merece atenção, com a possível revisão para cima do PIB do quarto trimestre (quinta). A agenda de balanços entra em sua semana final, com os resultados de importantes varejistas do país (Home Depot, Target, Macy´s, Sears, Best Buy), que devem traçar um panorama das expectativas para o consumo no país ao longo do ano. Cabe considerar a divulgação do índice PMI da China na noite da quinta-feira, e que deve repercutir na abertura da sexta-feira.

No Brasil, a sinalização pouco transparente acerca da condução econômica tem ampliado a volatilidade dos ativos. Os analistas, aos poucos, começam a acompanhar a curva de juros, e incorporar a expectativa de algum ajuste na Selic neste ano. Porém, tal movimento ainda é pouco provável no curto prazo, diante da evidente falta de disposição do governo em apertar a política monetária. A proximidade da reunião do Copom, no dia 6, deve acentuar as oscilações dos DIs. No câmbio, a situação se repete. Após o BC segurar o rompimento do patamar de R$ 1,95/US$ com a realização de swaps reversos, pode estar se consolidando um intervalo composto por este piso e por um teto de R$ 2,00/US$. Porém, conforme fatos recentes mostraram, as intenções podem mudar rapidamente. A formação da PTAX na quinta-feira também deve contribuir para manter o mercado cambial nervoso ao longo da semana. Finalmente, a Bovespa continua debilitada pelas correções no contexto global e também pela piora do cenário doméstico, em meio a perspectivas mais desfavoráveis para os resultados das empresas. Na agenda local, destaque para os índices semanais de inflação, para a nota de crédito e a pesquisa mensal de emprego, e, ainda, para o resultado do PIB do quarto trimestre e de 2012.


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