Cenário dos mercados a curto prazo 24-03

Publicado em 24/03/2014

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Segundo a Tendências Consultoria, os mercados internacionais devem ter uma semana importante pela frente, a fim de avaliar se a calmaria que predominou nos últimos dias representa uma tendência mais firme. Ao longo desta semana, o humor dos agentes superou as tensões geopolíticas envolvendo a Rússia e, principalmente, a mudança da sinalização da política monetária pelo Fed, que, pela primeira vez, sugeriu um prazo para o início dos aumentos da taxa de juros.

A despeito de uma reação inicial adversa ao comunicado e às declarações de Janet Yellen, com queda nas bolsas e pressão global no dólar, o movimento foi estabilizado na quinta e na sexta. No Brasil, os últimos dias foram marcados por pressões na curva de juros, diante de novos sinais preocupantes da inflação e dos riscos envolvendo o setor de energia, com reflexos fiscais. Porém, o IPCA-15 de março acelerou menos que o previsto, contribuindo para atenuar o movimento. O real tem mostrado força, em resposta à melhora dos fluxos cambiais. Já o Ibovespa manteve maior volatilidade nestes dias, oscilando em torno de rumores sobre pesquisas eleitorais, mas tentando reagir após as quedas recentes.

Os mercados devem iniciar a semana repercutindo o índice PMI da indústria chinesa, cuja prévia de março será divulgada pelo HSBC no fim de semana. Nesta semana os investidores já se mostraram menos pessimistas com o país, o que resultou na alta dos preços do minério de ferro. Nos Estados Unidos, a semana será carregada de indicadores de atividade, com destaque para os índices de confiança do consumidor (terça e sexta), encomendas de bens duráveis (quarta), revisão do PIB (quinta) e dados de renda e gastos pessoais (sexta). Diante das alterações na comunicação do Fomc, declarações de membros da instituição ganham maior relevância de agora em diante. Ao longo dos próximos dias se pronunciam Jeremy Stein (segunda), Charles Plosser (terça) e Sandra Pianalto (quinta), todos votantes em 2014, além dos não votantes Dennis Lockhart e James Bullard. Ou seja, bolsas globais, juros dos treasuries e taxas de câmbio devem ficar atentos aos indicadores e declarações. Finalmente, as notícias sobre a crise envolvendo Rússia, Ucrânia e o Ocidente merecem atenção.

No Brasil, além do ambiente internacional, que, por ora, surge como mais ameno, os investidores seguem avaliando sinais domésticos, em uma semana intensa em dados. Destaque para os números fiscais de fevereiro, com arrecadação federal na terça, governo central na quinta e dados consolidados na sexta, com especulações que indicam resultados novamente pouco animadores. Os índices de inflação (IPC-S, Fipe e IGP-M) devem continuar com variações elevadas, combinação que retomaria as pressões na curva. No câmbio, cabe avaliar mais um fluxo semanal, mas os dados das contas públicas também podem repercutir. Finalmente, o Ibovespa reage aos sinais externos, especialmente da China, na tentativa de sustentar a reação técnica desta semana. Cabe lembrar que, mesmo sem a confirmação dos rumores sobre a pesquisa eleitoral nesta sexta, diversos papéis operaram no positivo, com destaque para a Vale.


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