Cenário Econômico para 2019

 I – Cenário Básico (60% de probabilidade)

Nosso cenário básico parte das seguintes premissas:

1. No Brasil

  • coordenação política do novo governo relativamente boa, o suficiente para garantir a governabilidade da administração Bolsonaro;
  • aprovação, ao longo do próximo ano, de uma reforma moderada da Previdência, necessária para um mínimo equilíbrio das contas públicas; e
  • ingresso de receitas das privatizações.

O principal direcionador interno é o monitoramento das estratégias e da capacidade do governo de articulação com o congresso para a implementação dos projetos e de uma agenda econômica mínima. Os resultados, positivos ou negativos, só serão visíveis após os primeiros meses de governo.

Neste sentido, o primeiro semestre de 2019 será crucial, pois a “lua de mel” com os mercados tende a ser curta e se o governo não conseguir dar respostas rápidas sobre o andamento de uma agenda correta, perderá o capital político, o que, certamente, comprometerá a governabilidade.  

Pontos positivos internos para a concretização do cenário básico:

a) equipe econômica comprometida com a responsabilidade fiscal, tripé macroeconômico e reformas; e

b) capital político para aprovação e implementação das reformas.  

Riscos internos para a concretização do cenário básico:

a) capacidade de articulação para a implementação de uma agenda econômica mínima e das reformas: o governo não deve cometer erros conceituais, mas o risco é na articulação com o Congresso para a implementação. Neste sentido, especial atenção deve ser dada para a eleição dos presidentes da Câmara e do Senado, em fevereiro de 2019 e para a formação da base de apoio ao novo governo. Este será um momento de grandes oscilações e cautela;

b) risco fiscal, com sinalização da possibilidade de não cumprimento do teto dos gastos em um momento em que a situação fiscal do país e dos estados da federação é crítica;

c) política externa equivocada com uma visão antiglobalista e belicosa, alinhada com os EUA, e hostil à China e aos países Árabes. Neste ponto, há uma contradição entre um chanceler nomeado com posturas muito negativas e um diplomata com tendências liberais na equipe de Paulo Guedes. A política externa do novo governo deve ser monitorada com cautela.

d) questões sociais, que embora com pequena possibilidade de enfrentamento de greves, podem ser um desafio para o novo governo

2. Cenário Externo

Cenário externo desafiador resultando em desaceleração econômica das principais regiões: a) aumento de juros nos EUA; b) guerra comercial entre EUA e China; c) perda de ritmo de crescimento na Europa e China; e d)condições financeiras mais apertadas; e) incertezas com Brexit/Itália; e f) alta expressiva do petróleo até recentemente.

Nosso Cenário básico tem como premissas principais uma moderação na guerra comercial e ajuste gradual das condições monetárias, em especial nos EUA.

3. Conjuntura econômica do cenário básico

O crescimento econômico brasileiro deve ficar bem baixo, uma vez que, com o encaminhamento da questão fiscal, a economia deve ganhar tração somente ao longo do tempo. Componente governo é limitante ao crescimento. O crescimento de 1,2% do PIB de 2019 será reflexo principalmente do aumento do consumo das famílias, que representa 63% do PIB, e do investimento privado (FBCF).

A Inflação no ano deve ficar abaixo do projetado, com novidades recentes e combustíveis e energia elétrica. Para 2019, a projeção é de inflação linhada à meta. A elevada ociosidade permitirá manutenção da taxa básica de juros em patamares baixos por um bom período. Processo de redução do estímulo monetário deve ter início a partir do 3º trimestre do próximo ano.

Quanto à taxa de câmbio, a adoção de postura mais conservadora mostra-se recomendável. Embora os modelos ainda apontem para um câmbio mais baixo que os níveis atuais, o comportamento recente dos mercados e a existência dos diversos fatores de risco sugerem que os patamares recentes da variável, na faixa de R$ 3,80/US$ a R$ 3,90/US$, equilibram razoavelmente as incertezas externas e internas presentes no radar no curtíssimo prazo.

De forma geral, cresce a percepção de desaceleração da economia global, potencializada por questões como a escalada protecionista e o aperto nas condições financeiras internacionais, diante do processo de normalização monetária principalmente nos Estados Unidos.

Para os próximos meses, entretanto, a tendência é de que o real ganhe força caso o novo governo consiga avançar com a agenda econômica e reformista sinalizada. Neste contexto, se as medidas e agenda do novo governo avançarem, o fator interno deverá contribuir positivamente com os preços dos ativos locais, a partir da melhora da confiança nos fundamentos da economia brasileira. Isso irá se refletir na redução dos prêmios de risco e na maior entrada de capitais estrangeiros, gerando o efeito esperado nas variáveis. De fato, a julgar apenas por este efeito, não seria surpresa observar valorização do real para níveis ao redor ou mesmo abaixo de R$ 3,50/US$, patamar apontado atualmente como “justo” pelos modelos a partir destes fundamentos mais benéficos.

De qualquer forma, para os primeiros meses do ano de 2019, a adoção de postura mais conservadora mostra-se recomendável.

4. Projeções para 2019 (Cenário Básico)

*- Os dados da balança comercial referem-se à metodologia da Secex.

**- A balança de serviços e rendas contempla também as rendas secundárias, que na metologia anterior eram denominadas Transações Unilaterais Correntes.

***- Variações oficiais da PNADc a partir de 2013. Para trás as variações foram obtidas a partir dos microdados da PNAD anual, considerando pessoas em idade de trabalhar com 14 anos ou mais.   

Colocamo-nos a disposição.