Perspectivas para a semana de 27 a 31 de janeiro de 2014

Publicado em 29/01/2014

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Segundo a Tendências Consultoria, os mercados internacionais terão uma semana importante pela frente, após o forte estresse que predominou nos últimos dias. O foco maior estará na reunião do Fomc, com a possível manutenção do ritmo de corte de estímulos em US$ 10 bilhões, mas os agentes também ficarão atentos à agenda carregada de indicadores de atividade do país.

A China, que esteve entre as causas principais do nervosismo atual, terá apenas a confirmação do indicador PMI do setor industrial, que foi o gatilho da onda de aversão ao risco. Ou seja, em meio a um quadro de incertezas nos Estados Unidos e, principalmente, de receio com o desempenho da atividade na China, o ambiente deve permanecer instável no curto prazo, especialmente para países emergentes. No Brasil, este cenário afetou pesadamente os ativos, com forte queda da bolsa, desvalorização do real e pressões adicionais na curva de juros. Sem fatores domésticos capazes de mudar o quadro no início da semana, os mercados locais seguirão reféns do humor internacional, enquanto aguardam as informações do âmbito fiscal.

Sem dados da China até a noite da quarta-feira, quando será confirmado o índices PMI, os investidores devem iniciar a semana atentos aos sinais dos Estados Unidos. Parte da pressão dos últimos dias pode estar associada à tensão pré-Fomc, dado o temor dos agentes com a continuidade do tapering mesmo em meio a indicadores não tão favoráveis da economia do país. Nesse sentido, a agenda será movimentada nos próximos dias, com pedidos de bens duráveis, confiança do consumidor, PMI de Chicago e o PIB do quarto trimestre. De qualquer maneira, a reação dos mercados ao Fed não deveria ser intensa, considerando que a sinalização fornecida em dezembro apontou continuidade dos ajustes de forma gradual. Além da decisão, cabe avaliar o comunicado, na última reunião sob o comando de Ben Bernanke. Caso fique evidente que o temor com a China é a principal causa das turbulências atuais, a tendência é que o nervosismo persista nos mercados por mais tempo, eventualmente, até depois dos feriados do Ano Novo Lunar, na primeira semana de fevereiro, ou ainda até a divulgação de novos indicadores de peso.

No Brasil, a novidade foi a ata do Copom, que confirmou a continuidade do aperto monetário ao menos na reunião de fevereiro. Entretanto, o BC deixou a decisão em aberto, entre a manutenção do ritmo de 50 pontos-base ou a redução para 25 pontos base. O IPCA-15 em desaceleração e as perspectivas de atividade contida deram força para esta segunda hipótese, mas a nova puxada do câmbio e os sinais ainda preocupantes da abertura dos índices de preços sugerem que uma nova alta de 50 bps é o mais provável. A curva de juros, inclusive, está precificando movimentos ainda mais agressivos, o que indica a existência de prêmios nos DIs. O câmbio voltou ao foco com o dólar superando novamente os R$ 2,40/US$ e apresentando forte volatilidade nesta quinta e sexta. Os fluxos cambiais continuam negativos, o que não aponta uma melhora do cenário para o real.

Nos próximos dias o ambiente externo deve seguir preponderante, embora a parte final da semana reúna dados internos relevantes. Destaque para a pesquisa mensal de emprego (quinta) e os números fiscais (quinta e sexta), que devem contribuir para movimentar a curva de juros. Já a Bovespa, fortemente penalizada pelo pessimismo externo, segue sem perspectiva de melhora, mesmo que alguma ligeira correção técnica seja observada.


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