Cenário de Curto Prazo para os Mercados

Publicado em 22/10/2013

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Perspectivas para a semana de  21 à 25 de outubro de 2013


Segundo a Tendências Consultoria, afastado temporariamente o risco fiscal norte-americano, os mercados internacionais retomam o foco nas perspectivas para a economia nas principais regiões. Os números da China foram positivos, embora esperados. Nos Estados Unidos, as expectativas voltam-se para a normalização do calendário de indicadores, com destaque nesta semana para os números do mercado de trabalho, que deveriam ter sido anunciados no dia 4. O agravamento das tensões fiscais desde o final de setembro, que culminou no fechamento parcial do governo do país, deve se refletir em um período de dados menos animadores, o que tende a manter afastada a possibilidade de ajustes da política monetária ainda em 2013.

Fatos novos observados nas últimas semanas alteraram o panorama em torno do início dos ajustes monetários nos Estados Unidos, abrindo a perspectiva de uma espera mais prolongada para a redução do programa de compras de ativos pelo Fed (tapering). Com isso, altera-se o quadro para as taxas de câmbio em termos globais, de modo que o dólar tende a exibir uma maior fraqueza no curto prazo.

No Brasil, além dos sinais externos, os preços dos ativos reagiram a aspectos domésticos importantes. A ata da última reunião do Copom não indicou mudanças da política monetária, levando a curva a precificar ajustes na Selic para acima de 10%. Já o real foi favorecido pelo fim do impasse nos EUA e pelas pressões na curva de juros, mas a volatilidade cresceu com as incertezas sobre a continuidade das atuações diárias do Banco Central.

Para os próximos dias, os investidores devem focar na avaliação da saúde da economia norte-americana, com a retomada da divulgação dos indicadores. Destaque para a terça-feira, quando serão conhecidas a geração líquida de empregos e a taxa de desemprego, referentes a setembro. Declarações recentes de membros do Fed, ncluindo a futura presidente Janet Yellen, voltaram a enfatizar a necessidade de melhora consistente do mercado de trabalho, para que a instituição tenha a confiança suficiente para reduzir os estímulos. Ainda na agenda norte-americana da semana, a sexta-feira merece atenção, com as encomendas de bens duráveis e o índice de confiança do consumidor. O calendário de balanços corporativos também seguirá movimentando Wall Street, com destaque para as divulgações da quarta (Caterpillar, Boeing e AT&T) e quinta (Microsoft, Ford, Xerox, Dow Chemical e Coca-Cola). Neste mesmo dia, os mercados também repercutem o índice PMI-HSBC da China, que sai antes da abertura no ocidente.

No Brasil, o câmbio estará no centro das atenções nos próximos dias, após a recente valorização do real, que colocou a taxa ao redor de R$ 2,15/US$ (embora ao longo dessa sexta tenha ocorrido alguma recomposição). Sem sinais de ajuste na política monetária nos EUA, o dólar deve seguir enfraquecido em termos globais no curto prazo. Com isso, vão crescer os questionamentos à manutenção da política de “ração diária” pelo Banco Central, que, neste momento, está contribuindo com um ajuste excessivo para baixo do câmbio. Desta forma, os investidores devem monitorar os sinais em torno de uma eventual mudança da estratégia, bem como os desdobramentos do leilão do campo de Libra, que deve resultar em uma entrada importante de dólares no curto prazo. A curva de juros também segue atenta aos movimentos do câmbio, após a ata do Copom indicar ao menos mais um ajuste de 50 pontos-base na Selic. Para esta semana, dados domésticos também serão monitorados, em especial a pesquisa mensal de emprego, na quinta. Já o Ibovespa tem um quadro geral positivo nesta parte final do ano, mas no curtíssimo prazo deve ter dificuldades para ganhos adicionais após a recuperação recente. Oscilações atípicas em papéis como os da OGX também estão afetando o índice, de modo que é preciso atentar para estes fatores pontuais.


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