Cenário de curto prazo dos mercados

Publicado em 01/07/2013

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  Segundo o Cenário-2 do AE Broadcast, no exterior, declarações de três diretores do Federal Reserve e dados melhores da economia dos EUA mantiveram o apetite por risco dos investidores. Os integrantes do BC norte-americano buscaram afastar a ideia de que há um aperto monetário iminente no país. Entre os dados dos EUA, chamou a atenção a taxa de inflação anualizada, de somente 1%, abaixo da meta de 2%, o que reforça a percepção de que a retirada dos estímulos não ocorrerá no curto prazo. Assim, o índice Dow Jones subiu 0,77%, aos 15.024,49 pontos, o S&P 500 avançou 0,62%, aos 1.613,20 pontos, e o Nasdaq teve valorização de 0,76%, aos 3.401,86 pontos. Ao mesmo tempo, os juros dos Treasuries caíram, devolvendo parte da alta recente. A Bovespa pegou carona no bom humor externo e terminou com ganhos pelo terceiro pregão consecutivo. Ajudado por Petrobras e Gerdau, o Ibovespa subiu 0,93%, aos 47.609,46 pontos.
 
No câmbio global, no fim da tarde em Nova York, o euro subia para US$ 1,3038, de US$ 1,3011 no fim da tarde de quarta-feira. O dólar subia para 98,36 ienes, de 97,75 ienes. A libra esterlina caia para US$ 1,5260, de US$ 1,5314. O dólar avançava para 0,9453 franco suíço, de 0,9432 franco suíço. O índice Wall Street Journal Dollar Index, que pesa a moeda norte-americana ante uma cesta de rivais, subia
para 74,696 pontos, de 74,595 pontos.
 
Ante o real, com o ambiente externo mais otimista, o dólar passou a maior parte do dia em queda. Nos minutos finais, no entanto, as moedas commodities apagaram parte dos ganhos vistos mais cedo e os investidores comprados no mercado futuro seguiram pressionando pela alta do dólar, uma vez que nesta sexta-feira ocorre o fechamento da taxa Ptax de junho. A pressão fez a moeda encerrar o dia em elevação de 0,23%, cotada na máxima de R$ 2,1950.
 
No Brasil, a principal conclusão do mercado a respeito do Relatório Trimestral de Inflação, segundo o AE Broadcast,  foi de que o Banco Central não deve intensificar a dose do aperto monetário. Com isso, e também devido ao cenário externo e à possibilidade de que o IPI reduzido para eletrodomésticos e móveis tenha fim, as taxas de juros voltaram a cair, com os investidores consolidando a ideia de que a Selic deverá subir 0,50 ponto porcentual no próximo encontro do Comitê de Política Monetária (Copom), em 9 e 10 de julho. No final do dia o Ministro da Fazenda, Guido Mantega, anunciou uma recomposição parcial do IPI para a linha branca e móveis.
 
Para a Tendências Consultoria, o Relatório de Inflação do segundo trimestre não trouxe surpresas. As projeções de inflação do Banco Central vieram próximas ao esperado e o discurso do documento, em linha com a mudança de postura na condução de política monetária. Este discurso já havia sido incluído nas últimas atas das reuniões do Copom.
 
Em termos de projeções, o cenário de referência, que utiliza taxa de juros e de câmbio constantes, em 8,0% e R$ 2,10/US$ respectivamente, trouxe projeções do IPCA de 6,0% para 2013 e de 5,4% para 2014. Essas projeções ficaram próximas às nossas simulações de 5,9% e 5,5%, respectivamente, e acima das projeções do primeiro trimestre, em 5,7% e 5,3%, respectivamente. Vale destacar que as estimativas do Banco Central têm como data de corte o dia 7 de junho, antes das revogações nos reajustes das tarifas de ônibus urbano, que ocorreram em data posterior.
 
No cenário de mercado, que utiliza as trajetórias de juros e de câmbio da pesquisa Focus, incorporou juros de 8,75% ao final de 2013 e de 8,92% ao final de 2014 e câmbio de R$ 2,10/US$ ao final de 2013 e de R$ 2,15/US$ ao final de 2014. Com estas hipóteses, que significam juros e câmbio mais altos em relação às trajetórias utilizadas no primeiro trimestre, a projeção de inflação para este ano ficou estável em 5,8% e, para 2014, subiu de 5,1% para 5,2%. Essas projeções também ficaram próximas às nossas simulações de 5,9% e 5,2%, para 2013 e 2014, respectivamente.
 
Com relação ao discurso, o Banco Central manteve o tom de preocupação com a trajetória da economia global, ainda que considere um ritmo de recuperação mais intenso. É destaque também a preocupação com a volatilidade nos mercados financeiros em função do início, ou iminência, da normalização das condições monetárias nos EUA.
 
No âmbito doméstico, o BC considera uma intensificação na trajetória de recuperação da atividade econômica, que conta, entre outros fatores, com uma política fiscal expansionista. A autoridade entende que este ritmo de crescimento está mais alinhado com o PIB potencial e que a dinâmica conjunta no mercado de fatores (trabalho e capital) mostra uma situação de hiato positivo, ou seja, no campo inflacionário. Neste contexto, que conta com uma inflação elevada, disseminada e com certa resistência à queda, justifica-se a mudança de postura e de discurso da autoridade monetária.


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