Perspectivas para a semana de 20 a 24 de maio de 2013

Publicado em 20/05/2013

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Segundo a Tendências Consultoria, as discussões em torno da sequência da política monetária norte-americana, que dominaram a cena nos mercados internacionais nos últimos dias, devem continuar no centro das atenções na próxima semana. Apesar de sinais ainda mistos da atividade, a confiança de que a economia dos Estados Unidos seguirá com bom ritmo de crescimento e, principalmente, as palavras mais duras de dirigentes do Federal Reserve, fizeram com que os investidores passassem a apostar mais fichas em uma redução do programa de compra de ativos ainda neste ano. Por conta disso, os principais drivers dos mercados nos próximos dias continuarão sendo os indicadores de atividade nos EUA e os sinais do Fed, que, além da ata do Fomc, terá um discurso de Ben Bernanke no Congresso. No Brasil, dólar e juros também têm repercutido este ambiente externo, mas no caso da curva há também a mudança de tom pelo BC, que fez as taxas curtas precificarem de forma majoritária uma elevação de 50 pontos-base na reunião do Copom no dia 29.

No âmbito externo, a semana começa com agenda pouco movimentada, mas a partir da terça-feira os sinais do Fed serão atentamente monitorados pelos mercados, sobretudo as declarações de Willam Dudley e James Bullard, ambos que, nos últimos discursos, mantiveram tom mais dovish. Na quarta-feira, até mais importante do que a ata do Fomc à tarde, o testemunho de Ben Bernanke no Congresso pela manhã acerca das perspectivas econômicas deve trazer elementos cruciais para a visão dos analistas sobre a política monetária do país. Diante de sinais econômicos ainda incertos, é capaz que Bernanke prefira não se comprometer com nenhum dos lados, ou seja, nem a manutenção indefinida dos estímulos, nem com uma redução no curtíssimo prazo. De qualquer forma, a quarta-feira será o ponto alto dos mercados internacionais na semana e deve direcionar o humor dos investidores no curto prazo. Com as bolsas em Wall Street ao redor das máximas históricas e o dólar e os yields dos Treasuries em patamares elevados, não será surpresa se a semana for marcada pela acomodação da trajetória, ainda que a volatilidade dos preços deva seguir intensa.

No Brasil, a aproximação da reunião do Copom acrescenta um componente doméstico importante no desempenho dos ativos, em especial da curva de juros. As declarações de Alexandre Tombini em evento do BC na quinta-feira, substituindo a “cautela” pela “tempestividade”, levou ao aumento das apostas em torno da aceleração do ritmo de aperto monetário, gerando altas expressivas dos DIs curtos. Porém, as incertezas persistem, especialmente em um ambiente onde a inflação dá sinais de desaceleração e em que ainda prevalecem movimentos de afrouxamento monetário em diversas regiões do mundo. No dólar, o cenário externo, somado à fraqueza dos fluxos cambiais e ao aumento do déficit em conta corrente, sugerem uma tendência de desvalorização do real. Cabe acompanhar se haverá alguma intervenção por parte do BC/governo, o que poderia surgir no caso do rompimento do patamar de R$ 2,05/US$. Já o Ibovespa segue oscilando ao redor do patamar de 55 mil pontos há dois meses, sem demonstrar força para uma mudança de patamar. Na agenda interna, destaque para o IPCA-15 (quarta), pesquisa mensal de emprego (quinta) e nota de crédito (sexta), que podem alterar o balanço das apostas para o Copom do final do mês.

 
 Uma boa semana e bons negócios!
 Miriam Tavares
Diretora de Câmbio


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