Perspectivas para a semana de 18 à 22 de março de 2013

Publicado em 18/03/2013

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Segundo a Tendências Consultoria, os mercados internacionais entram em uma fase de maior indefinição e instabilidade, diante dos patamares elevados das bolsas globais e dos fatores de incerteza que estão no radar, e que podem incentivar um movimento de correção no curto prazo.
Nos Estados Unidos, a despeito de a maioria dos indicadores econômicos apontar um viés positivo para a atividade, as complicadas negociações fiscais já começam a afetar a confiança dos agentes, conforme mostrou a prévia do índice da Universidade de Michigan de março. Nesse sentido, oBanco Santander acredita que merece atenção a continuidade dos debates em torno dos temas fiscais: importantes datas limites – como a expiração da autoridade orçamentária (28 de março) e o fim da postergação para o teto da dívida (maio) – estão ficando cada vez mais próximas e uma solução negociada parece ainda distante. Republicanos pressionam por cortes profundos nos programas sociais, principalmente saúde e previdência, enquanto democratas insistem em outra distribuição dos cortes, acompanhada de aumento de receitas com o fechamento de algumas brechas tributárias. É bastante possível que uma ou outra proposta seja votada nesta semana, mas, sem um acordo amplo, é provável que nada seja efetivamente aprovado.
Na Europa, o impasse político da Itália segue como um risco importante, após o primeiro dia de atividade do novo Parlamento reforçar a visão de falta de acordo para a formação de um governo.  Ao longo da semana cabe manter o acompanhamento do noticiário, dos leilões de títulos de governo e das taxas de financiamento.
No calendário, como maior destaque, a reunião do Fomc (quarta), cujo comunicado deve melhorar a visão do cenário econômico, mas sem sinalizar mudanças nos estímulos monetários concedidos. Ou seja, a expectativa é de uma leitura positiva do texto. Do ponto de vista dos dados, destaque para os números do setor imobiliário (terça) e de atividade industrial e emprego (quinta), que tendem a ser mistos. Os mercados continuarão atentos também aos indicadores norte-americanos, que, até aqui, têm conseguido evitar a realização de lucros. Vale monitorar os dados do mercado imobiliário americano em fevereiro, que devem confirmar o bom momento do setor, e a rodada de indicadores de confiança na Zona do Euro relativos a março.
D De qualquer forma, com os índices Dow Jones e S&P oscilando próximos das máximas históricas, torna-se desafiador para os investidores sustentarem o otimismo.
No Brasil, o foco maior neste momento está na curva de juros, em meio aos ruídos gerados por um quadro inflacionário preocupante, por um lado, e a defesa da cautela trazida pela ata do Copom por outro. Ainda segundo a Tendências, após a ata do Copom esfriar as apostas de elevação da Selic em abril, os agentes especulam sobre a possibilidade de este movimento se iniciar em maio, mesmo que ainda exista alguma precificação de ajuste a partir de abril. Porém, o sinal de cautela assumido pelo BC e as claras evidências de governo de que os juros não são o instrumento preferido para controle dos preços, mantêm aberta a possibilidade de manutenção da Selic nos próximos meses. Neste sentido, os indicadores de inflação e atividade no curto prazo vão definir diariamente a visão dos investidores, além de eventuais declarações e rumores sobre o tema, de modo que a volatilidade da curva de juros deve permanecer intensa.
No câmbio, os indícios recentes sugerem que o intervalo entre R$ 1,95/US$ e R$ 2,00/US$ é uma referência neste momento, pois contribui com os preços sem prejudicar demasiadamente a indústria. Já a Bovespa segue atenta aos desdobramentos externos e às informações corporativas de empresas de grande peso no índice, como Petrobras, OGX e Vale, cujas ações têm oscilado bastante. O índice encontra-se em patamar debilitado, mas, por ora, sem fôlego para movimentos expressivos. Na agenda doméstica, destaque para os índices de inflação na segunda (IPC-S), terça (Fipe e prévia do IGP-M) e sexta (IPCA-15).
Na sexta-feira, os dados do Banco Central devem mostrar nova deterioração do déficit em transações correntes. Para o Santander, boa parte do aumento do déficit está associado à queda do superávit comercial, em especial nos dois primeiros meses deste ano, que apresentaram forte déficit por conta do registro tardio das importações de combustível. Estimamos um déficit de US$ 6,1 bilhões em fevereiro nas transações correntes. Para o investimento estrangeiro direto, esperamos uma entrada líquida de US$ 3,1 bilhões neste mês. Ao longo dos últimos dois anos, o encolhimento do saldo comercial e a estagnação da entrada de investimentos diretos vêm estreitando a diferença entre os dois fluxos, de modo que, em fevereiro, o fluxo de investimento direto em 12 meses será apenas suficiente para cobrir o déficit em transações correntes no mesmo período. Embora não haja sinais de problema no financiamento das necessidades externas do país, atribui-se uma importância simbólica ao fato de que o déficit em transações correntes seja mais que coberto com entrada de investimento direto, considerado uma modalidade de recursos menos voláteis. Se não houver uma recuperação na balança ou nos investimentos nos próximos meses, pode-se acender a luz amarela neste quesito.


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