Perspectivas para a semana de 01 a 05 de junho de 2015

Publicado em 01/06/2016

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Os mercados internacionais terão uma semana importante pela frente, com as atenções voltadas para o mercado de trabalho norte-americano, cuja evolução irá balizar as apostas para a política monetária do Fed. Além disso, as negociações com a Grécia e pesquisas de atividade na China compõem a agenda externa. Nos últimos dias, predominou um cenário de instabilidade no exterior, porém sem variações significativas nos ativos. As bolsas seguem oscilando em patamares muito elevados, ameaçando uma realização em determinados momentos, enquanto o dólar manteve uma tendência de recuperação moderada ante as principais moedas. No Brasil, apesar de positiva, a aprovação das MPs 664, 665 e 668 não encerrou as discussões sobre o ajuste fiscal, com as questões da desoneração em folha e do fator previdenciário ainda em aberto. O ambiente político tem se mantido turbulento, embora tenham sido amenizados os sinais de conflitos entre a Fazenda e o Planejamento. De todo modo, os ativos locais têm passado por uma fase de muita instabilidade, em meio às incertezas econômicas e políticas.

O panorama externo não deve ser alterado nos próximos dias, com os mercados atentos aos fatores citados acima. Nos EUA, a agenda carregada desde a segunda-feira, culminando nos dados do payroll na sexta, deve provocar mudanças constantes na precificação do aperto monetário pelo Fed, tendo em vista a postura “dependente de dados” da instituição. Em declarações recentes, Janet Yellen (presidente) e Stanley Fischer (vice) apontaram que o aumento de juros deve ocorrer ainda em 2015, mas que o processo de ajuste será lento. A despeito da economia em ritmo fraco na parte inicial do ano, prevalece a visão de retomada nos próximos meses, o que será desafiado pelos dados dos próximos dias. Destaque para o mercado de trabalho, com o payroll, a evolução dos salários e as taxas de desemprego e de subemprego, que fornecerão subsídios para os analistas. Números positivos acentuariam o cenário traçado por Yellen e Fischer, mantendo a recuperação global do dólar. Na Zona do Euro, o foco segue na Grécia, na semana que vence a primeira de várias parcelas do mês do empréstimo junto ao FMI. Um acordo definitivo dificilmente será alcançado e o tema deve continuar gerando volatilidade na região. Finalmente, cabe atentar para as pesquisas PMI da indústria da China, que serão divulgadas no final de semana e irão repercutir na reabertura da segunda-feira.

No Brasil, o exterior merece acompanhamento, com potenciais efeitos principalmente sobre ocâmbio. Esta variável deve iniciar a semana reagindo à sinalização por parte do BC do ritmo de rolagem dos swaps em junho, no fechamento desta sexta. A manutenção da parcela de 80% de renovação deveria esfriar as pressões na abertura, tendo em vista o receio dos mercados de o BC reduzir novamente a rolagem dos contratos. Outro destaque da semana ficará para a reunião do Copom, que deve manter o ritmo de aumento da Selic em 50 bps. Porém, há dúvidas relacionadas ao conteúdo do comunicado, que pode trazer alguma alteração e sugerir mudanças na política monetária em julho. Caso o texto siga inalterado, crescerão as chances de repetição do movimento na reunião seguinte, embora o Relatório de Inflação no final de junho seja uma oportunidade para o BC sinalizar a decisão de julho. Na Bovespa, após um período de bons ganhos, predominou uma correção nos últimos dias. Não há motivos para uma intensificação das quedas, mas a ausência de fatores de impulso deve manter os altos e baixos na renda variável. Na agenda local, além do Copom, há dados de atividade (PIM, Fenabrave, PNAD Contínua) e inflação (IPC-S e Fipe).


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