Perspectivas para a semana de 04 à 08 de março de 2013

Publicado em 05/03/2013

Segundo a Tendências Consultoria, com uma agenda de balanços menos carregada lá fora, o foco dos mercados internacionais deve continuar nos dados econômicos, na evolução dos debates fiscais nos Estados Unidos e da situação política da Itália. Após um período de relativa queda nas incertezas, a aversão ao risco predominou nos mercados nos últimos dias. Esse comportamento deve continuar caso os governos não mostrem avanços na resolução dos problemas que podem prejudicar o desempenho da atividade já nos próximos meses.

Na Europa, além da turbulência política na Itália, o mercado deve repercutir as declarações de Mario Draghi após a reunião do BCE. O presidente da instituição, que já havia mostrado preocupação com a possibilidade de deflação no ano passado, deve mostrar um tom mais pessimista do que nas últimas reuniões, devido aos impactos do cenário político mais adverso e a inflação já abaixo do objetivo de 2% da instituição. O quadro menos favorável à continuidade das reformas estruturais do continente ainda sugerem maior volatilidade nos yields dos papeis soberanos das economias endividadas. A cotação do Euro também deve sofrer com esse ambiente, de maneira que deve continuar a pressão para alguma desvalorização da moeda.

Nos Estados Unidos, as declarações pessimistas de Obama e de congressistas dos dois principais partidos do país com relação à possiblidade de acordo aumentam o risco de um choque fiscal contracionista no país nos próximos meses. Assim, a aversão ao risco deve predominar. Nesse sentido, além de pressionar negativamente as bolsas, o dólar deve se valorizar ante as principais moedas do mundo, favorecendo também a queda dos juros do papel de 10 anos do governo dos EUA. No entanto, a divulgação de dados positivos do mercado de trabalho poderia balancear esses movimentos, uma vez que a despeito das turbulências políticas, a atividade nos Estados Unidos segue com crescimento moderado.

No Brasil, além do maior pessimismo com a economia, que segue mostrando resultados abaixo das expectativas, o ambiente externo pior deve pesar ainda mais nas bolsas. A divulgação de balanços de importantes empresas ligadas ao consumo (BRF, B2W, Hypermarcas), por sua vez, deve sinalizar melhor o ritmo de crescimento da demanda das famílias no país. Para a curva de juros, é esperada continuidade do movimento de queda, com a redução nas apostas em um aumento na Selic já nos próximos meses. Além disso, com o aumento das incertezas no exterior, deve aumentar a pressão para uma desvalorização do câmbio.

Na última sexta-feira, a aversão ao risco que predominou na primeira parte do dia pressionou também a cotação do euro e da libra esterlina, que chegaram a operar abaixo de US$ 1,30/euro e US$ 1,50/libra, indicando maior preferência pelo dólar norte-americano, tido como moeda de menor risco. No entanto, a avaliação mais positiva dos dados de consumo e indústria dos Estados Unidos divulgados mudou a tendência dos mercados na segunda metade do dia, que passaram a dar mais peso para o maior ritmo de expansão que o país mostra nesse início de ano. Mesmo assim,  o dólar operou com valorização ante as principais moedas do mundo. Em mais um indicativo de aversão ao risco, aumentou a demanda por papeis de 10 anos do governo dos EUA, e o yield desse ativo voltou a operar abaixo de 1,85%.  No Brasil, os dados fracos do PIB doméstico e a perspectiva de crescimento global menor alimentaram incertezas com os ativos do Ibovespa, que operou com perdas o dia inteiro, fechando com queda de 0,94%, aos 56.883,99 pontos. Na semana, a Bolsa acumula ganho de 0,33%, mas, no ano, tem desvalorização de 6,67%. As declarações do governo, reiterando os pilares da “nova matriz macroeconômica” levaram a uma redução das apostas de um aumento da Selic nas próximas reuniões do Copom e contribuíram para a continuidade do recuo dos juros ao longo da curva. A taxa de câmbio doméstica, por sua vez, teve alta para R$ 1,979/US$, em linha com a valorização do dólar pelo mundo.


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