Perspectivas até 23 de maio de 2014

Publicado em 20/05/2014

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Segundo a Tendências Consultoria, os mercados entraram em uma fase instável nos últimos dias, diante de sinais econômicos controversos e dos patamares elevados das principais bolsas, o que gera o receio de uma realização de lucros no curto prazo. Dados na China e na Zona do Euro decepcionaram, enquanto, nos Estados Unidos, os números foram mistos, situações que contribuíram para agregar certa cautela aos investidores, que correram para o abrigo dos treasuries. Com isso, o yield de 10 anos recuou para 2,5%, em movimento surpreendente, por ocorrer em meio a um ciclo de ajuste da política monetária norte-americana. No Brasil, a volatilidade também cresceu nas últimas sessões, porém os ativos seguem em patamares valorizados, após a recuperação recente. Sem fatos novos no front eleitoral ao longo da semana, os investidores ficam na expectativa por pesquisas de intenção de voto nos próximos dias.

A semana começa vazia em termos de indicadores internacionais, o que deixa os mercados sem direcionadores claros ao menos até a quarta-feira. Após alguns dias de agenda muito movimentada, os agentes devem processar as informações recentes a fim de reavaliar o quadro de curto prazo no início da semana. A partir da quarta-feira, o foco se volta para os Estados Unidos, onde, nesse dia, será divulgada a ata da última reunião do Fomc. Por ora, os mercados têm recebido com tranquilidade os sinais do Fed, que continua indicando um processo muito cauteloso de normalização monetária. Na quinta e na sexta serão apresentados números do setor imobiliário, que vem tentando reagir, e os indicadores antecedentes. Em linhas gerais, a despeito dos sinais mistos, deve prevalecer uma leitura positiva das perspectivas para a economia do país.

Na Zona do Euro, entretanto, a percepção é de que o BCE deve partir para uma ação expansionista em junho, diante da inflação muito baixa e da recuperação anêmica. Na semana, cabe atentar para as pesquisas PMI na quinta-feira. E também monitorar a prévia de maio do índice PMI da indústria da China, na noite da quarta-feira, tendo em vista que a perda de fôlego da atividade no país tem sido outro aspecto relevante a guiar os investidores. Por fim, os mercados também devem manter o acompanhamento dos conflitos na Ucrânia.

No Brasil, apesar da importância do ambiente global, os ativos têm sido guiados, em grande medida, por fatores locais. A eventual divulgação de novas pesquisas eleitorais estará no radar, com os agentes avaliando se houve alguma acomodação da piora do quadro para o governo, após as propagandas políticas em rádio e TV nesta semana. Caso confirmado, o impacto seria adverso nos preços. A própria dinâmica dos ativos também representa uma barreira à continuidade dos ganhos no curto prazo. O Ibovespa alcançou os 54 mil pontos e deve encontrar dificuldades em ir além neste momento – neste caso, as preocupações com a China também pesam. No câmbio, a proximidade do nível de R$ 2,20/US$ também impõe um limitador para novas baixas. Já os juros entram na semana que antecede o Copom com a visão praticamente consolidada de interrupção do ciclo de alta da Selic, diante dos sinais de atividade fraca e inflação menos pressionada no curto prazo. A agenda da semana será importante nesse sentido, com a segunda prévia do IGP-M, a segunda quadrissemana do IPC-Fipe (segunda), o IPCA-15 (quarta), o IPC-S (sexta), além dos números do mercado de trabalho (Caged e PME).


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