Cenário dos mercados a curto prazo

Publicado em 20/03/2014

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Indicadores Financeiros


Segundo a Tendências Consultoria, os mercados devem ter uma semana ainda instável, repercutindo as informações provenientes da crise na Ucrânia – no domingo (16) ocorre o referendo na Crimeia –, além de focar na reunião do Fomc. Os temores com a economia da China também devem continuar assombrando os investidores, após os dados fracos da atividade divulgados. No Brasil, o fator China pesou fortemente sobre os ativos, especialmente a bolsa, o que sugere uma baixa probabilidade de mudança no panorama no curto prazo.

A curva de juros também segue atenta aos sinais domésticos, que voltaram a exibir maiores pressões inflacionárias, recuperação da atividade e preocupações fiscais decorrentes do setor energético, que reforçaram as apostas de mercado em torno de mais um ajuste na Selic. Já o câmbio tem oscilado pouco acima de R$ 2,35/US$, resistindo às pressões externas diante dos fluxos melhores.

A abertura da semana será condicionada pelo desfecho do referendo na Crimeia, que deve resultar no apoio da população à independência formal em relação à Ucrânia, abrindo espaço para uma eventual anexação futura à Rússia. Nações importantes, como Estados Unidos e Alemanha têm se manifestado contrariamente a esta hipótese, o que pode gerar um aumento das tensões geopolíticas nos próximos dias. A agenda econômica também estará em destaque, especialmente nos Estados Unidos. Dados do setor industrial e imobiliário devem exibir melhora, sugerindo que a fase de esfriamento da atividade está sendo superada. Porém, o Fed deve seguir cauteloso com a política monetária, promovendo mais um corte de US$ 10 bilhões nos estímulos na reunião da quarta-feira. Caberá atentar ao comunicado da decisão, em especial uma possível alteração da referência de 6,5% da taxa de desemprego como um indicativo de mudanças da taxa de juros. O Fomc deve adotar metas mais gerais para a recuperação do mercado de trabalho. Neste ambiente, o cenário mais provável é de volatilidade para os próximos dias no cenário internacional.

No Brasil, bolsa e câmbio ficam na dependência do humor externo, por ora, sem uma direção clara. O agravamento das tensões lá fora pode pressionar o câmbio, mas a melhora dos fluxos tem contribuído para sustentar o real. Nesse sentido, cabe avaliar os números semanais do fluxo, na quarta-feira. Nos juros futuros, novos índices de inflação estarão no radar, com IGP-10 e IPC-S (segunda), Fipe e prévia do IGP-M (quinta) e IPCA-15 (sexta), que devem ratificar o quadro ainda delicado para os preços. Na atividade, os números do Caged de fevereiro (sem data definida) fornecem uma leitura importante do andamento do mercado de trabalho. O viés do momento para os DIs é de alta, embora os movimentos devam ser contidos.


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