Cenário de Curto Prazo para os Mercados

Publicado em 10/02/2014

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Perspectivas para a semana de  10 a 14 de fevereiro de 2014

Segundo a Tendências Consultoria, após um início de semana ainda turbulento, os mercados internacionais tiveram alguns dias de calmaria, com redução do nervosismo e recuperação dos preços dos ativos de maior risco. Os dados mistos do mercado de trabalho norte-americano na sexta-feira não alteraram esse viés, embora o quadro mais provável para o curto prazo ainda seja de volatilidade elevada, tendo em vista a manutenção das preocupações com China e com o próprio andamento da economia e da política monetária dos Estados Unidos.

Naturalmente, com a menor aversão global ao risco, o cenário para os emergentes também foi amenizado, mas, da mesma forma, não é possível afastar a possibilidade de novos períodos de forte instabilidade. No Brasil, essa trégua nos mercados favoreceu o ajuste do câmbio e da Bovespa, embora ainda com muitas oscilações ao longo da sessões. A curva de juros passou por uma correção expressiva, não apenas reagindo à valorização do real, mas também à fraqueza do setor industrial e aos sinais de menores pressões inflacionárias, que recolocaram no jogo a hipótese de o Copom ser mais contido neste final de ciclo de aperto monetário.

Para os próximos dias, os analistas devem manter o foco nas mesmas questões atuais, envolvendo os sinais dos Estados Unidos e China. O gigante asiático deixa para trás a semana de feriado de ano novo, mas a divulgação de indicadores de janeiro será prejudicada por este fator sazonal, conforme ocorre todos os anos. Para esta semana, destaque para os números do comércio exterior (terça) e inflação (quinta). Nos Estados Unidos, a agenda de dados ganhará relevância apenas na quinta, com vendas no varejo e pedidos de auxílio-desemprego, e sexta, com produção industrial e confiança do consumidor. Antes disso, o principal evento da semana ocorre na terça-feira, o primeiro testemunho semestral feito por Janet Yellen na Câmara, após assumir o comando do Fed. Dois dias depois ela irá ao Senado, repetir o discurso no Comitê de Bancos. Outros dirigentes da instituição também se manifestam ao longo da semana, com os "falcões" Jeffery Lacker e Charles Plosser (terça) e James Bullard (quarta). Diante dos sinais mistos da economia, cresce a importância da avaliação dos membros do Fed sobre o cenário atual e as perspectivas para a política monetária. Tais declarações devem ser os principais condicionantes dos mercados nos próximos dias.

No Brasil, o quadro externo segue preponderante na evolução dos preços, mas fatores domésticos também merecem monitoramento, especialmente visando os movimentos da curva de juros. Do exterior, o principal efeito será via câmbio, cuja acomodação recente depende da continuidade do ambiente ameno para os ativos de países emergentes. A cotação do dólar tem oscilado ao redor de R$ 2,40/US$, mas não se pode afastar o risco de novas pressões. Esta situação será importante para os DIs, que também avaliam questões domésticas, como os índices semanais de inflação (segunda e terça), após a desaceleração do IPCA, e indicadores de atividade, com vendas no varejo (quinta) e IBC-Br (sexta). Caso o dólar siga mais acomodado abaixo de R$ 2,40/US$ e  os sinais inflacionários amenos, devem crescer as apostas de uma redução do ritmo de alta da Selic neste mês, por ora precificado em 50 pontos-base na curva. Porém, as condições ainda sugerem a maior probabilidade de uma nova elevação desta magnitude. Já o Ibovespa, cujo índice futuro terá vencimento na quarta-feira, seguirá tentando uma recuperação, após as quedas excessivas recentes. O índice voltou a se aproximar dos 48 mil pontos, e continuará atento ao ambiente externo e às informações corporativas domésticas visando manter a tendência.


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